Professor desvalorizado. E não só na Terra Brasilis

Não valorizar os professores da educação básica não é privilégio de país atrasado, ainda que se queria avançado, como o nosso. Por exemplo, na Itália isso também acontece.
Segundo matéria do News Italia Press, o relatório “Education at a Glance 2009“, elaborado pela OECD com indicadores da educação de vários países – incluindo o Brasil – coletados em 2007, os professores italianos são deixados sozinhos. Mais da metade deles [55%] não recebe qualquer avaliação, positiva ou negativa, sobre o trabalho que desenvolvem. Não se valoriza a sua atividade. E, óbvio, essa desvalorização acaba se refletindo no salário dos professores.
A desvalorização do professor é notória no Brasil, ainda que encontremos aqueles que pensam de forma diferente. Há muito os professores, especialmente os da Educação Básica, deixaram de ser considerados e respeitados. Ao contrário, notadamente os de escolas públicas tornaram-se vítimas de constantes violências, da verbal à agressão física. Na semana passada mesma, um aluno colocou uma bomba caseira sob a mesa de uma professora de uma escola pública estadual aqui em Belo Horizonte. Segundo o diretor da escola, a professora estaria substituindo outra profissional e teria método de ensino severo.
Mas, convenhamos, se a função docente fosse socialmente reconhecida como se espera, se esse reconhecimento se traduzisse também em salário decente, nossas licenciaturas não estariam se esvaziando como estão. Ou será que nossos jovens seriam burros a ponto de fugirem de uma profissão valorizada?
Há poucos dias conversava como meu filho, que conclui o Ensino Médio em uma escola particular que atende classes econômicas mais privilegiadas [apesar de sermos um casal de professores, fazemos esse investimento no nosso filho, com tudo o que representa em dispêndio financeiro]. Nenhum aluno ou aluna do 3o ano do EM desta escola pretende cursar uma licenciatura ou um curso de Pedagogia. Suas opções são, essencialmente, pelas carreiras tidas aqui como “nobres”. Querem ser advogados, médicos, engenheiros e coisas assim. A propósito, meu filho é o único em algumas dezenas de estudantes que pretende fazer Relações Internacionais. Mas seu projeto futuro é o Instituto Rio Branco. Filho de professores, quer distância dessa carreira. Alega que trabalhamos muito e, ele mesmo reconhece, temos muita chateação por conta do trabalho. Mas ele se orgulha dos seus pais que escolheram educar jovens e adultos.

A propósito do relatório da OECD. Ele foi publicado hoje é possível obter cópia, gratuita, do texto em inglês, em arquivo com formato PDF [clique aqui].
É um volume grande, com mais de 400 páginas. Para quem tem pouco tempo para ler tanta coisa, uma dica é um resumo dos principais achados, em versão em português.
Há também uma versão em francês do relatório. “Regards sur l’éducation 2009: Les indicateurs de l’OCDE” está online. Clique aqui para obter a cópia.

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