Educação a distância: o que precisa ser pensado

O fato de que o Brasil possui hoje indicadores muito baixos na educação superior – é um pouco mais de 2 milhões de universitários numa população de 160 milhões de habitantes – o notável avanço das novas tecnologias da informação e a ampliação do acesso, associados a uma maior demanda por educação continuada, são alguns dos motivos pelos quais a oamis_ead_1educação a distância (EAD) está incluída na pauta do dia de muitas organizações escolares.

O ensino na modalidade a distância está previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Sua utilização em cursos superiores, a nível de graduação, já foi regulamentada pelo MEC

A EAD chama hoje a atenção de várias organizações brasileiras, principalmente as universidades. As nossas universidades estão começando a investir na implantação de cursos a distância, na graduação, na pós-graduação e na extensão, visando ampliar o número de estudantes a serem atendidos.

Muitas pessoas e instituições que nesse momento procuram se organizar para oferecer cursos de EAD parecem estar sustentando seus projetos numa premissa que nos parece falsa. Elas parecem acreditar que EAD é fácil de se fazer, é barata e é lucrativa.

Esse tipo de crença pode vir a ser muito prejudicial nas ações queoamis_onlinelearning_2 conduzam à organização e oferta de cursos a distância.

A questão que deve estar sendo discutida nos foros debate sobre EAD não é a distância. Não podemos nos resumir a discutir as estratégias e os recursos tecnológicos disponíveis hoje para a EAD.

O grande debate deve se concentrar num ponto: o tipo de educação que se pretende oferecer.

Temos que discutir o paradigma que norterá as ações nesses cursos, as estratégias que assegurarão a qualidade de seus processos, a formação de recursos humanos capazes de contribuir para a qualidade de cursos a distância.

Não podemos levar para Web ou para as salas de vídeo-conferência o tipo de educação que hoje acontece na maioria das escolas. Ele está assentado num paradigma instrucional, que não tem mais significado na educação contemporânea. Com certeza não se poderá fazer à distância as mesmas mazelas que a escola vem fazendo na educação presencial. 

Da mesma forma e com os mesmos ímpeto e dedicação, temos que discutir estratégias para que com a EAD possamos fazer uma estratégia da inclusão social. Sem maiores cuidados estaremos criando um novo espaço que só será acessível a uns poucos, aqueles mesmo já privilegiados na educação presencial.

No período de 22 a 24 de setembro de 1999, foi realizado, em Belo Horizonte, no campus da UFMG, o 1o. Seminário Internacional de Educação a Distância. As estratégias e tecnologias inovadoras para uma educação de qualidade constituirão o tema referencial do evento. Palestras, mesas-redondas e oficinas foram as  várias estratégias adotadas no seminário para que as pessoas vivenciem aspectos da EAD, troquem experiências, discutam preocupações, avaliem possibilidades. O SINPRO-MG também discutiu a EAD em seu VII Congresso, realizado em Belo Horizonte em outubro de 1999.

É isso o que tem que ser feito. A EAD tem que ser bem pensada.

oamis_investigaTemos que investigar as melhores formas de fazê-la. Não podemos nos perder numa aventura, cuja norte não seja nada mais do que uma estratégia de se conseguir recursos financeiros para as instituições de ensino, numa lógica pautada pelo mercado.

A EAD tem uma clara justificativa pedagógica no Brasil num momento em que buscamos melhorar nossos indicadores de educação. Mas não podemos fazer EAD de qualquer forma. Precisamos cuidar do quantitativo mas não podemos abdicar da qualidade. Todo espaço que houver para essa reflexão será importante, será bem-vindo.

Simão  Pedro P. Marinho, em agosto  de 1999

[A fotografia acima foi reproduzida de   “An overview of on-line learning”, de Saul Carliner].

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