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Baixou o professor no propagandista

17/02/2010

Baixou o professor no, imagino eu, propagandista de laboratório Francisco Stanguini, de São Caetano do Sul, em São Paulo.
Ele escreveu uma carta, para o Painel do Leitor, do jornal Folha de São Paulo, publicada hoje, na qual se refere a uma outra carta de leitor, um  médico.
Transcrevo uma parte da carta enviada pelo Stanguini.

“Foi com muita tristeza que li a carta do médico José Elias Aiex Neto sobre propagandistas de laboratório (“Painel do Leitor”, ontem). Ele afirma não receber propaganda médica há 12 anos e garante que não faz nenhuma falta. Certamente ele deve estar bem desatualizado com a prescrição de medicamentos. A função de um propagandista é levar informações técnicas e científicas atualizadas sobre produtos e trabalhos que não são publicados na internet.”

Quem lê essa carta criticamente – e ouso dizer que posso fazê-lo – vê aí a atitude que vem marcando muitos, quase todos os professores. Se eu não ensinar, eles não saberão, não terão como aprender. É exatamente isso o que parece pensar o leitor Stanguini.
Se o propagandista não “ensinar” aos médicos sobre os novos medicamentos e as formas de prescrevê-los, eles nada mais saberão, ficarão desatualizados e a saúde do povo estará em risco.
Pior ainda. O leitor – um propagandista como imagino – Stanguini sugere que, para além dele, o propagandista, e da internet, não haverá mais informação atualizada para os médicos. Ou seja, sem o “saber-delivery” do propagandista ou a moderna internet [ainda bem que já existe isso] o que restaria será o breu da ignorância.
Não ocorreu a Stanguini, como não ocorre a muitos professores, que existem outras estratégias e recursos para a aprendizagem. Ou ele pensa que o médico não poderá aprender na conversa com um colega, lendo a bula do remédio que não recebeu do propagandista –  mas que um colega recebeu-, frequentando congressos, lendo revistas especializadas?
Masé  interessante ver que Sanguini ainda reconhece a internet como algo que pode competir com seu saber ou até substituí-lo. Muitos professores sequer fazem isso, alguns até fingem que a internet existe.
Sanguini reflete, em seu protesto contra o médico, o pensamento de muitos professores: Sem eles, os professores – e quem sabe a internet – não haverá mais chances do aluno se informar e, a partir daí, de aprender algo.
O problema dos professores é que eles correm o risco de serem batidos pela internet. Não sei se esse é o caso do propagandista de laboratório farmacêutico. Resta viver para saber.

A imagem são do site TopTeam Online e do blog “Comida, diversão e arte“.

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