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Fim do Ning gratuito. Fim do Ning? Fim da gratuidade na Web 2.0?

21/04/2010

Embora eu ache que as escolas não embarcarão facilmente nessa de rede social, por várias razões que estarei apresentando np dia 23/4 no ENDIPE, tenho estimulado os professores a testarem esse recurso. Há o caso de orientandos meus que usam o Ning como um recurso na pesquisa que conduz às dissertações. O Ning, como é típico das interfaces da Web 2.0, é de uso gratuito. Era ou deixará de ser em breve. É isso o que informa o site iMasters. Segundo uma notícia publicada no dia 16 de abril último – notícia que aliás “tuitei” no mesmo dia –  Jason Rosenthal – que há pouco mais de um mês substituiu Gina Bianchini no comando do Ning – demitiu pessoal da equipe e anunciou o fim das contas gratuitas para criação de comunidades virtuais. Aos que quiserem se manter no Ning restará recorrer a contas Premium. Essas contas importam em várias despesas mensais. Suporte custa entre US$ 10 e US$ 100, o custo de domínio US$ 5, armazenamento extra e largura de banda significam US$ 10 dólares e a remoção de anúncios outros US$ 25 dólares. Em síntese, ou se tira do bolso, a cada mês, uma quantia que não será inferior a US$ 50 – equivalente hoje no Brasil a algo em torno de  R$ 95 – ou “goodbye Ning”. A  justificativa do Ning para a cobrança de todos o usuários me surpreende. O argumento é de que, reduzindo despesas e gerando receitas, a empresa poderá não depender apenas de investidores. Para Milton Friedman não há almoço de graça. Mas se não me engano foram Dan Tapscott e Anthony Williams que, no livro “Wikinomics – Como A Colaboraçao Em Massa Pode Mudar O Seu Negócio“, editado pela Nova Fronteira, alegaram que  pode  haver almoço de graça se alguém pagar caro pela sobremesa. As contas Premium, que surgiram em vários sites da Web 2.0, são exatamente a “sobremesa cara” que alguns [suponho poucos] usuários pagam – e por isso têm lá suas vantagens – garantindo o “almoço de graça” para os demais usuários. A decisão do Ning, se irrevogável, deverá ser encarada como um alerta. Paulo Simões, em seu blog “Re-formar” dá como certo o fim do tempo do “almoço grátis”. Em suas palavras, “é preciso ter consciência disso e assumir a ruptura com o passado recente“. Será?  Esse fim significará certamente o fim da web participativa, da web do “user-created content“, da web pensada por Tim Berners-Lee. Voltaremos então à web paga, domínio de poucos, coisa prá quem tem dinheiro. As escolas dificilmente pagarão essa conta. Terá então durado pouco o sonho de trazer para a escola a Web 2.0, permitindo que nossos alunos se tornassem cidadãos em uma Sociedade da Autoria. Confirmada a disposição do Ning de cortar todas as contas gratuitas e cobrar dos usuários, nem sentido algum haverá mesmo para a conta Premium. Todos serão Premium ou estarão fora. Ou seja, paga-se “almoço e sobremesa” juntos ou não se pode criar ou manter comunidades virtuais no Ning. Resta aguardar, principalmente para saber se não será o Ning que estará, em breve, fora do cenário da Web 2.0 porque imagino que serão poucos os dispostos a pagar pelo seu uso, principalmense se ainda houver opção grátis. Até lá, a recomendação para quem quer criar e/ou manter redes sociais virtuais privadas é buscar alternativas gratuitas como o WackWall. Ao menos por enquanto.