Archive for dezembro \10\UTC 2010

Toda violência é gratuita. Ainda mais quando é por causa de nota na escola

10/12/2010

O foco do meu blog é educação, com destaque para a integração curricular das tecnologias digitais de informação e comunicação. Mas existem temas que me levam compulsivamente a escrever aqui. Nesta semana tive dois temas em destaque, para abordar no blog, ainda que não dizendo respeito diretamente às tecnologias. PISA e violência contra professor na escola. O PISA fica prá depois.  Na última terça-feira, em Belo Horizonte, um professor foi morto com uma facada no peito no corredor de faculdade onde lecionava. O assassino? Um dos seus alunos. O motivo? O descontentamento com uma avaliação.  Há poucos dias, no Rio Grande do Sul, um estudante, também insatisfeito com a avaliação, quebrou os braços de sua professora e arrancou-lhe seis dentes. E depois, cinicamente, disse que não queria machucá-la. Só posso imaginar que queria matá-la. E, felizmente, não conseguiu. Como coloquei no meu Twitter, assim que soube da morte desse professor de um curso superior de Educação Física e pai de duas crianças bem pequenas, se alunos insatisfeitos com suas notas continuarem agredindo e matando professores, dar boa nota a todos e qualquer um será ato de legítima defesa. Aprovar sempre, para sobreviver ileso, é o desafio que se coloca hoje aos professores, da educação básica ao ensino superior. Se as coisas continuam assim, em breve teremos que alterar as matrizes curriculares da formação inicial de professor. Teremos que incluir disciplinas como Técnicas de Sobrevivência, Primeiros Socorros e Defesa Pessoal no currículo das licenciaturas. Ou, se não, independente de qual perfume usarem, sentiremos exalando de muitos professores apenas o cheiro do medo.

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Uma experiência para construção coletiva de um “twittexto”

10/12/2010

 

Nos trabalhos da disciplina Educação, Sociedade e Tecnologia, do Mestrado em Educação da PUC Minas, tentei criar, com os alunos e alunas, o que chamei de “twittexto“. A proposta era a de, através de contribuições de cada um pelo seu Twitter pessoal, mas articuladas ao Twitter da disciplina, criarmos um texto cujo tema seriam as redes sociais virtuais e a escola. Conforme a orientação, cada nova “tuitada” deveria constituir-se na continuação da imediatamente anterior. Um texto coeso e coerente seria construído progressivamente.Para facilitar a busca entre os colaboradores, cada nova frase, ou “tuitada”, para o “twittexto” teria o marcador [hashtag] #textorede. Dessa forma sobravam 129 caracteres para cada contribuição, sendo terminantemente vedado o “internetês”. Coisas como pq, q, tb, vc e similares não valeriam, já que um desafio era exatamente que cada estudante fosse conciso usando a linguagem culta.   Ainda que um texto, ou melhor, um “twittexto” tenha se esboçado, o produto final ficou muito aquém do que eu esperava. As contribuições não vieram de todos os estudantes, alguma desarticulação do texto ficou evidente. O “twittexto”, que compilei, acabou curto, sem uma estrutura adequada. Faltou muito para atingir a expectativa, reconheço Mas espero poder repetir a experiência. Afinal essa foi a primeira. Solicitei a cada aluno que comentasse a experiência. Dessas análises poderei tirar indicadores importantes se vier a decidir por uma nova experimentação. Quem sabe, adotarei a mesma estratégia de Tim Burton para escrever uma estória através do Twitter. Tim Burton aceita a colaboração de qualquer pessoa, no limite de 127 caracteres, para a estória “Cadavre Exquis “. Diariamente ele escolhe as melhores “tuitadas” e organiza o texto. Claro que no meu caso eu teria que restringir as contribuições a alunos e alunas da disciplina. Mas a idéia de escolher as melhores contribuições deve ser considerada. De todo modo, fica aí uma ideia para professores. Por quê não criarem “twittextos” com seu alunos. Pode ser um ótimo exercício de escrita colaborativa, coletiva.

O cyberbullying como tema de aula na pós-graduação

10/12/2010

Cyberbullying foi o tema na minha aula de ontem, última, na disciplina Educação, Sociedade e Tecnologia, para alunos do Mestrado em Educação da PUC Minas. A proposta foi discutir o papel que pode caber à escola e, em especial, aos professores nesse problema que aflige a muitos. Como dissemos, nos parece essencial uma “educação para a internet” que previna o cyberbullying. A prevenção pode evitar a repreensão. Quando eu era garoto, e o anglicismo ainda não dominava o Brasil, na escola havia a zoação. “Quatro ôio”, baleia, lombriga eram expressões usadas para designar alguns alunos nas escolas. A idéia era a da brincadeira e, a não ser que saísse uma briga por causa dos “títulos”, não havia muito problema. Ainda que alguns alunos tenham levado pela vida toda apelidos que ganharam, a zoação era uma questão restrita à escola, confinada em seus muros. Mais recentemente, por conta em especial da internet, a zoação, o bullying, foi para muito além dos muros da escola. As agressões verbais, os xingamentos se tornaram acessíveis a muitos. Nascia o cyberbullying. E ele se torna realidade também no Brasil, ainda que não na intensidade com que ocorre nos Estados Unidos, por exemplo. De repente, a escola, que na maioria das vezes tratava o bullying como uma brincadeira e só tomava atitudes quando ele provocava agressões físicas entre alunos, se vê com um novo problema, bem maior. Pelo fato do cyberbullying ser um problema que afeta a escola, que envolve tecnologias digitais e, em maior ou menor grau, se torna uma questão para a sociedade, decidi abordar esse tema, pela primeira vez, nessa minha disciplina.

Foi bastante interessante ouvir os relatos dos alunos e alunas sobre as experiências com bullying que, de alguma forma, vivenciaram, seja enquanto estudantes, quase todos, seja no exercício da função docente, todos. Meus alunos e alunas de maneira geral não foram vítimas de cyberbullying. Ainda que vez ou outra apareçam comunidades virtuais de alunos que odeiam o professor X ou a professora Y, nenhum deles se viu envolvido nisso. Mas, como educadores, têm responsabilidade junto a seus próprios alunos. Na aula adotei uma dinâmica que considerei interessante. Abri o tema, tomando algumas expressões que se usavam nas zoações. Em seguida, solicitei a eles que buscassem conceitos de bullying e cyberbullying da internet. Cada um, com seu notebook ou netbook, numa sala onde tenho acesso sem fio à internet, alguns alunos usando a cesso 3G, foi buscar os conceitos, usando search engines. A tarefa seguinte exigiu que cada uma postasse, no Twitter da disciplina [o acesso a esse Twitter é restrito ao pessoal da disciplina], seus próprios conceitos. A jogada era obrigá-los a serem concisos, já que havia a limitação dos 140 caracteres e avisei que o “internetês” não seria permitido. Afinal, seria uma “malandragem”. Depois recomendei que vissem alguns vídeos, disponíveis principalmente no YouTube, que havia selecionado. Cada aluno ou aluna, usando um fone de ouvido para não perturbar os demais, assistiu os vídeos. A eles foi solicitado que tirassem, de quase todos os vídeos, um destaque e “tuitassem” sobre ele. Também indiquei uma reportagem sobre cyberbullying e uma pesquisa sobre hábitos de jovens brasileiros na internet e ainda recomendei uma visita a um site que trata do tema. Para encerrar, uma tarefa. Cada aluno ou aluna deverá criar, no Animoto, um vídeo sobre cyberbullying. Na medida em que os vídeos estiverem prontos, seus links serão divulgados aqui no blog. Em síntese, foi uma aula com um tema contemporâneo, na qual search engines, como o Google, foram utilizadas, juntamente com vídeos on-line e o Twitter, culminando com a criação de um vídeo. Um tema provocador e a mobilização de vários recursos da tecnologia digital podem constituir em um bom ingrediente para uma aula. Pelo menos essa era a expectativa. Listo, a seguir, os vídeos que recomendei na tarefa. Eles podem ser úteis a um professor que queira trazer, para as salas de aula, para o debate com seus alunos, os temas do bullying e de sua “versão digital”, o cyberbullying. [1] Bullying [2] Not cool [3] Bullying. Por quê? [4] Reportagem sobre cyberbullying