Falando sobre tecnologias e resistências

Quando discuto, especialmente, mas não exclusivamente, com alunos de licenciaturas sobre as dificuldades para a incorporação dos computadores e de tecnologias associadas na formação inicial de professores, na mudança do quadro que chamei há alguns anos de “tecno-ausência” , é recorrente o argumento da resistência dos professores às tecnologias.

O argumento, que já se usava nos anos 1980 para explicar como o computador não chegava de fato às escolas, permanece, intocável, inabalável, até por aqueles que há 30 anos sequer existiam.

Definitivamente estou convencido de que essa alegada resistência dos professores às tecnologias digitais de informação e comunicação é uma falácia, ainda que oportunamente – ou seria malandramente? – utilizada como justificativa para o atraso tecnológico do lugar da nossa formação inicial de professores, a sala de aula das licenciaturas.

A mim parece prova suficiente de que essa resistência de fato não existe a constatação, simples, de que os professores das licenciaturas, bem como de maneira geral qualquer professor, usam computador para digitar provas, registrar notas. Eles o utilizam, acoplado ao projetor multimídia, para exibir as apresentações que criam no PowerPoint, ainda que na maioria das vezes o façam mal,  parecendo como que ainda imersos/submersos na cultura do retroprojetor.  Ou seja, em resumo não há qualquer problema com o uso do computador no ensino, como suporte a ele, no cotidiano na sala de aula e mesmo fora dela, embora relacionado a ela. Nenhuma resistência, sem dúvida.

Com o mesmo desempenho. os professores utilizam computadores na sua vida, para se comunicar por mensagens eletrônicas, para fazer compras, programar viagens, ver vídeos no YouTube. Alguns participam de redes sociais. Os celulares, incluindo os smartphones, os tablets, as caixas eletrônicos nos bancos são tecnologias com as quais lidam sem problema. De novo, nenhuma resistência.

O problema é a resistência  ao uso das tecnologias digitais para a aprendizagem, na aprendizagem dos alunos. O temor é pelo que fazer quando se coloca a máquina, seja o laptop, seja o tablet, nas mãos dos alunos.

Colocar a máquina na mão de estudantes implica em mudanças, profundas, na prática pedagógica. São mudanças que exigem que o professor saia da zona de conforto na qual está instalado faz tempo.Às mudanças nas suas práticas arraigadas, muitos professores resistem, – possivelmente a maioria. Essa é a única resistência que vejo quando se fala em professores, escola e tecnologias digitais de informação e comunicação.

Por isso ouso afirmar que os professores não temem as tecnologias digitais; temem o desafio do novo fazer pedagógico, necessário para incorporar essas tecnologias no cotidiano da escola, na perspectiva da aprendizagem. Os professores não querem se afastar das velhas práticas que lhes dão a confiança, a segurança para atuar na sala de aula. E nada mais confortável do que a aula expositiva, onde o professor fala o que sabe e o aluno, convencido de que nada sabe, apenas ouve. Em síntese, é o medo do novo, da insegurança que ele provoca que cria resistências em professores quando se trata de incorporar tecnologias digitais de informação e comunicação para a aprendizagem. Parodiando Caetano Veloso, em sua música Sampa, eu diria que isso ocorre porque “à mente apavora o que não é o mesmo velho“.

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