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O poder das redes sociais: a “barrigada” que gerou um boato

24/08/2014

Há uns poucos dias atrás pessoas depararam com uma notícia de que o Senado Federal estaria discutindo o fim do “ç”, do “ch” e do “ss”, dentre outras mudanças na língua portuguesa”. As reações foram das mais diversas ordens, houve quem considerasse que isso seria uma atrocidade.

Essa “notícia” é, na verdade, um boato que veio no rastro do debate sobre o acordo de unificação ortográfica firmado, em 1990, por oito países de língua portuguesa. O acordo deveria ter entrado em vigor, aqui no Brasil, no primeiro dia do ano passado. Contudo, através de um decreto presencial, sua vigência foio adiada para janeiro de 2016.

A origem do boato teria sido uma “barrigada” que, no jargão jornalístico, é a veiculação de uma notícia falsa como se fosse verdadeira. Por isso coloco a palavra notícia entre aspas.

A “notícia” teria surgido quando a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado discutiu proposta de de autoria de um professor de nome Ernani Pimentel – ele não é senador. Segundo o professor, que está à frente de um projeto “Simplificando a Ortografia, as alterações visariam facilitar (futuramente fasilitar?) a aprendizagem (que passaria a
ser aprendizajem?) da língua portuguesa (portugueza, doravante?), assim (que passaria a ser asim?) reduzindo, para 150, a média necessária de 400 horas-aula para a aprendizagem de ortografia. Em resumo, usando a “nova ortografia eu diria “qe dezejam é ezecutar uma mudansa para apresar a educasão do omem brazileiro, facilitando, na rapidez de uma flexa, a preparasão dos estudantes para os ezames, em uma gerra contra a falta de aprendizajem, o que para alguns pode parecer esêntrico, gerando uma xuva de críticas“.

Um vídeo mostra um debate, realizado em 2013, sobre a simplificação (simplificasão?) da ortografia na nossa língua, do qual participam o professor Pimentel e o senador Cristovam Buarque (que seria Buarqe, pela proposta do Pimentel).

Por outro lado, a “notícia”, que não passa de boato, mostra a realidade do poder das redes sociais virtuais, para o bem, ou para o mal.  Através da internet, à qual mais e mais contingentes de pessoas têm acesso (há mesmo quem considere o acesso à internet como mais um direito fundamental), propaga-se tudo, a verdade, a mentira. E todas as coisas se propagam com a “velocidade da luz” .

Essa constatação revela uma outra coisa, a importância da escola na educação para o que eu chamaria de “cibercidadania”. Os professores terão que dar a sua parcela de contribuição na educação de crianças e jovens, muitos criados sem a noção do limite, julgando-se livres para fazer tudo, para que possam ter um seguro caminhar nesse novo espaço, para que possam “navegar” na internet, lugar de muitas ondas. Internet onde sempre surgem sempre novidades, como ondas atrás de ondas. Delas, uma das mais recentes – e que guarda relação com uma formação para lidar na secretcibercultura – é o Secret – Fale livremente. Esse aplicativo, instalado em celulares, permite o compartilhamento anônimo de textos e fotos, no que já começa a dar dor de cabeça às escolas.

Atendendo a uma determinação judicial, a App Store Brasil removeu o Secret da lista de aplicativos disponíveis, Contudo, no ITunes e no Google Play o aplicativo ainda estava disponível ao menos na manhã de hoje.

Por seu lado,na última sexta-feira os desenvolvedores do Secret anunciaram mudanças que evitarão que a plataforma exiba posts ofensivos. Para isso ficaria vedada a publicação de posts contendo nomes próprios e/ou que tragam fotos da biblioteca do smartphone. Como vivemos em um mundo onde parece não mais haver lugar para segredos, não surpreende que hackers já tenham quebrado o anonimato de usuários do Secret.

Apenas professores adequadamente preparados poderão fazer a necessária educação na sociedade de uma cibercultura, professores que sejam eles mesmos “cibercidadãos”. Preparar esses professores é um enorme desafio, seja na formação inicial (nas licenciaturas), seja no educação continuada (em serviço).

Voltando ao boato que provocou esse post. O Senado promulgou, no último dia 18, uma nota.

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Razão da EaD na licenciatura

14/08/2014

Explicitação de uma justificativa de práticas de EaD na formação inicial presencial de professores. Podcast produzido por Simão Pedro P. Marinho para uso na disciplina Tecnologia e Práticas Educativas da PUC Minas Virtual.