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Chip, chip, meus gatinhos! Digo, meus e-Alunos !

26/03/2012

Houve um tempo no qual os pais, dentre eles os meus, controlavam ao menos parte da vida dos seus filhos na escolas pela caderneta.

Alí na caderneta estavam os carimbos que comprovavam a assiduidade [presente, ausente] e a pontualidade [atrasado]. Também ali estavam as notas que mostravam se a aprendizagem aconteceu ou não, ou, se ao menos, os esudantes conseguiram sair-se bem nas provas, mesmo que não tivessem aprendido.

Na caderneta Imagemeram ainda escritos os recados – que em geral só falavam de atos de indisciplina – que as as escolas emviavam aos pais dos alunos travessos, indisciplinados [Seriam eles os antecessores dos “hiperativos”de hoje ?]

Mas os tempos mudam e os controles podem se tornar, digamos, modernos, ainda que muitos possam achar inapropriados.

E é exatamente de um controle “moderno” de estudantes que trata uma notícia que circulou na semana passada.

A rede muncipal de ensino de Vitória da Conquista, no Estado de Bahia, monitorará, usando chips eletrônicos,a frequência e permanência de seus alunos. Dessa forma, poderá avisar pais e responsáveis sobre a presença dos estudantes na escolas.

Os chips estarão nos que foram chamados “uniformes escolares inteligentes”.

No escudo da escola na blusa do uniforme ou em sua manga, os chips, que  utilizam a tecnologia de Rádio-Frequência de Indentificação (RFID), serão identificados por sensores instalados na entrada das escolas.
Tão logo o estudante passe por alií, o sistema avisará, pelos celulares cadastrados, aos pais e responsáveis que os estudantes entraram ou saíram da escola.

O secretário de Educação de Vitória da Conquistachip declarou que além de promover o melhor controle da frequência escolar, este é um projeto que reaproxima os pais do ambiente escolar.

Segundo ele, ao longo dos anos foram constantado que muitos pais ficavam surpresos quando eram informados da baixa frequência dos filhos às aulas. Com o sistema, implantado a um custo inicial de R$ 1,2 milhão, as escolas pretendem “intensificar o controle sobre os estudantes, evitando que eles fiquem nas ruas“, afirma o secretário.

Haverá, certamente, quem se posicionará a favor da medida, convencido de que a escola deve mesmo controlar a frequência dos alunos e avisar os pais, usando os recursos que dispuser.

Por outro lado, não serão poucos os que condeanarão a medida, sob o argumento de que ele fere a liberdade do aluno, que seria até o caso de uma “invasão de privacidade”.

Não me surpreenderei se alguém disser que esse chip no uniforme é o equivalente a uma tornozeleira eletrônica usada por condenados pela Justiça.

O sistema, que devem conceber como inexpugnável e que já comeu uma boa quantia de dinheiro público, pode vir a servir apenas para detectar a presença de blusas de uniforme na escola. Bastará ao gazeteiro [ainda se usa essa palavra?} entregar sua blusa a um colega que vai para escola e, tão logo este passe pelo portão da escola, os pais do gazeteiro receberão a “reconfortante e tranquilizadora” notícia de que seu filho [ou filha] está em lugar “seguro” chamado escola.

Enquanto isso, buscar estratégias para que os estudantes sintam que vale a pena ir para escola e ali permanecer, nem pensar.

Mas sabemos que o bom uso de outro chip, o de computadores pessoais, leva alunos para a escola. Isso ficou evidente no Projeto UCA, que permitiu a cada aluno ter seu próprio laptop na escola.

Um indicador positivo do Projeto UCA é a diminuição significativa do índice de absenteísmo.

Por que não pensar em investir o dinheiro dos chips controladores em computadores, laptops edudacionais?  Quase certamente teríamos menores dispêndios e maiores resultados. E inteligente seria a escola, não os uniformes.

Não guardei o nome da escola na qual o chip estará em breve funcionando. Mas estou convencido de que não é Escola Municipal Michel Foucault.

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Wordle deste post.

Wordle: Chip, chip, meus gatinhos. Digo, meus e-Alunos!

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