Archive for the ‘Escola’ Category

Criatividade é tudo na vida

02/06/2012

Ontem, um vídeo sobre um pedido de casamento era assunto na conversa de um jornalista com a correspondente, em New York, da mesma emissora de televisão.

A correspondente comentou que postara o vídeo no seu Facebook e que, tocada por ele, passara a maior parte do dia cantarolando a música que ele traz como background

Chamei o Google para me ajudar a achar o Facebook daquela jornalista. Não foi difícil achar. E então fui conferir o vídeo.

O vídeo mostra uma forma criativa que um jovem, Isaac, arrumou para pedir a namorada em casamento.

Com a ajuda de amigos e parentes, Isaac acabou criando o mais inusitado pedido de casamento que eu já vi na vida.

Pedido de casamento não é novidade. Há séculos, quem sabe milênios, alguém pede para casar-se com outro alguém. Nas mais diferentes culturas, o pedido de casamento existe há muito tempo. Houve um tempo em que o pai do pretendente era quem fazia o pedido. E, sim, claro, houve – e sempre haverá – casamentos “arranjados” decididos por quem não está se casando em nome daqueles que passarão uma vida – não importa quanto ela dure – juntos, com todos os desafios que isso significa.

Apesar das diferenças de idioma, uma frase estará sempre presente nesse momento: Você quer casar comigo?

Pois Isaac conseguiu fazer desse momento simples e rotineiro um fato novo, ainda que usasse a “surrada” frase. Criatividade foi o elemento que fez a diferença.

Assim que vi o vídeo, me pus a pensar na escola. Mas não porque um dia fiz um pedido de casamento a alguém que fora minha aluna, com a qual convivi em uma escola e convivo há 26 anos, sendo 22 de casamento.

A questão era: se tivermos criatividade – e dermos asas a ela – poderemos fazer dos momentos mais simples, das coisas mais rotineiras da escola  eventos mais significativos, mais marcantes para aqueles que a frequentam. Com criatividade tocaremos as pessoas em sua sensibilidade e criaremos momentos mais gostosos, divertidos na vida cotidiana da escola.

Enquanto você pensa em como ser mais criativo na semana que vem, aproveite para dar uma olhada no vídeo do Isaac.

Eu, por meu lado, fico aqui no meu canto torcendo para que a vida de Isaac com Amy seja tão gostosa quanto foi o seu pedido de casamento.

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Uma estorinha de “mudança”

11/09/2011

Um diretor de uma escola brasileira – só pode ser particular, já que na rede pública o professor é “imexível” – demitiu um professor extremamente tradicional, que ali lecionava há 30 anos. Não porque não gostasse dele. Era boa gente, atencioso, frequente, pontual. Até os meninos gostavam dele. É gente boa, diziam. Mas o diretor queria mudar o formato do ensino na escola e, por isso, contratou um recém-egresso da universidade. Era jovem, deveria ter uma formação mais moderna, mais de acordo com o que deve ser preciso em uma escola do Século XXI. Seguramente o novato aprendera coisas sobre didática, psicologia e tecnologia educacional que o antigo professor sequer ouvira quando estava na universidade. O desejo do diretor de oferecer um ensino inovador era mesmo enorme. E naquele professor recém-formado estava essa chance. O diretor, sedento por ver a rápida mudança acontecer, decidiu acompanhar o novo professor em seu trabalho. Ele seria o modelo para a mudança dos demais professores. Percebeu que a arrumação da sala se mantinha como antes. As carteiras continuavam enfileiradas, cada aluno assentado atrás de outro. Contudo, pensou, isso é o de menos. Mais importante que alterar o aspecto das salas, o essencial seria modificar as aulas. Uma nova didática, um novo ensino, uma educação moderna, ainda que as carteiras estivessem enfileiradas. Acompanhou então uma primeira aula do professor novato. Ele usava o computador e o projetor multimídia. Enquanto falava, mostrava aos alunos uma série quase infindável de slides. Eram tantos que as luzes da sala só se acenderam no final da aula, quando soava o sinal. O novo professor prometeu aos alunos, jovens que sem dúvida gostam de usar o computador, que enviaria a apresentação por e-mail. Isso é um traço da modernidade, pensou o diretor. Mas, depois de algumas aulas, viu que eram todas iguais. A dinâmica era sempre a mesma: aulas expositivas, alunos silentes, slides projetados em uma tela. O diretor constatou, com enorme tristeza, que a forma de ensinar do novo professor era a mesma adotada pelo professor que demitira. Não fosse pelo computador, seria a mesma aula. As provas, verificou depois, permaneciam do mesmo jeito, cobrando aos alunos a matéria que deviam decorar. O diretor, incomodado, resolveu abordar o professor recém-chegado. Questionou-o sobre as aulas, sobre o ensino. Afinal, tudo permanecia na mesma. O professor, recém-formado, repetia o que o demitido fizera por anos e anos na escola, três décadas para sermos exatos. “Por que nada mudou?”, perguntou então o diretor, em uma conversa reservada com o professor novato Do novato ouviu uma resposta: “Toda a minha educação básica foi feita assim, em todas as escolas que frequentei, ao longo de onze anos. Depois foram mais quatro anos na universidade e tudo era dessa mesma maneira.” E, encerrou o professor novato, desculpando-se: “Não sei como fazer isso diferente”. Foi demitido na hora, apesar de toda a honestidade imediatamente reconhecida pelo diretor. Logo depois o novo desempregado foi chamado para ser professor em uma instituição de ensino superior. Agora podia realizar aquele que era o seu grande sonho: formar novos professores. [Publicado iem 12/02/2009, no meu blog Tecnologias digitais e Educação].