Archive for the ‘Generalidades’ Category

Direitos autorais. Deve haver um limite.

07/06/2012

De cara, esclareço: não sou contra direitos intelectuais de propriedade. Afinal se um cara gastou tempo e “fosfato” para criar uma obra que seja – livro, artigo, escultura, pintura, filme – nada mais justo que ganhe dinheiro com isso. Afinal, isso representa trabalho e trabalho tem que se reumerado de alguma forma. E nada mais injusto que alguém ganhe dinheiro com a obra de terceiros sem a sua expressa autorização.

Às vezes vejo defensores “ardorosos” do copyleft – no Brasil são vários – que em tratam de assegurar os seus direitos autorais, p.e., sobre as suas músicas, enquanto, fazendo “blague”, defendem o “liberou geral” no que diz respeito à propriedade intelectual nas coisas dos outros. Copyright para eles, copyleft para as obras dos outros.  Toque, por exemplo, sua música e terá que pagar ao ECAD.

Mas não raro vejo os exageros.

Nesta semana postei aqui sobre um inusitado pedido de casamento feito por um jovem de nome Isaac. O pedido a Amy, a namorada, que eu usei como mote para falar de inovação foi registrado em um vídeo que estava – o verbo agora é passado – no YouTube.

O pedido de casamento foi feito “em cima” de uma música. Parentes e amigos de Isaac dublam a música, enquanto dançam ao som dela. A música era, por razões óbvias, a trilha do vídeo, seu background.

Vendo o vídeo do criativo Isaac, constatei que não conhecia a música. Usando os recursos de busca na Web, identifiquei a música e quem a gravou. Achei um vídeo – naqueles montados a partir de sequências de fotos do cantor – sobre a música.

O cantor era um desconhecido para mim. Tendo a supor que não seja “cantor de sucesso”, daqueles que “estouram a boca do balão”, alcançam os píncaros da glória no Billboard. Possivelmente se assim fosse eu teria ouvido falar dele antes, pelo menos é o que acho. Pelo que descubro, é cantor de um único álbum. Mas finalmente eu o conheci, ainda que isso vá fazer pouca diferença na minha vida, ou na dele.

No meu post, falando da inovação a partir de um pedido de casamento, inseri o vídeo. E me surpreendi quando hoje não mais pude vê-lo. O vídeo foi “tirado do ar” por razões de copyright.

Bloqueio no YouTube

Então pensei no Isaac. Pelo menos para mim – e suponho que para muitos outros – ele foi o divulgador daquela música. Se li o nome do cantor [que pode ser o autor da musica] foi por conta exclusiva de Isaac; ele me mostrou que essa música existia.

Isaac não deve ter ganho um cent sequer com aquele vídeo, com aquela música. Ao contrário, usando a música, Isaac pediu a Amy que se casasse com ele; isso é despesa na certa, que aumentará possivelmente quando o casal for abençoado com descendente(s). Então, se Isaac não auferiu vantagem financeira alguma – e pode ser que, se o casamento zebrar um dia, ele até amaldiçoe a música –  qual a razão dos detentores de direito autoral terem impedido que o vídeo continuasse sendo exibido no YouTube? Acho que eles deveriam até prestar uma homenagem ao pobre e comprometido Issac, por ter divulgado sua música. Se não fosse o apaixonado rapaz, eu e quase certamente uma multidão de outras pessoas jamais saberíamos daquela música, daquele cantor.

Pois é, aquele cantor, que era para mim um desconhecido, agora é um esquecido. Mas continuarei me lembrando de Issac, um “Romeu” moderno que inovou no pedido de casamento e usando os recursos das tecnologias digitais de informação e comunicação mostrou ao mundo seu amor por Amy.

Alguém dirá que esse post nada tem a ver com escola. Mas tem si. O uso de recursos como imagens e sons disponíveis on-line pode estar ameaçado por conta de direitos autorais quando queremos estimular nos alunos o uso da Web 2.0, como espaço para, usando sua criatividade, mostrarem o que aprenderam, serem contadores de histórias e estórias, revelarem como vêem a vida, a escola, o mundo. O uso de recursos sem qualquer benefício pecuniário por parte daquele que dele lança mão não deveria ser impedido em nome de direitos de propriedade.

Nesse momento, no Brasil, uma comissão de juristas discute uma revisão do anteprojeto do Código Penal. Falam em aumentar as penas pela violação de direito autoral e pirataria. Mas é importante que vejam um outro lado da questão. Resta esperar que os juristas e, depois, os congressitas que aprovarão a lei tenham o bom senso necessário para lidar com a questão. Se houver sensatez, todos ganharão.

O plágio nos trabalhos acadêmicos

27/07/2010

O plágio, palavra que etimologicamente deriva do latim plagiu, é o ato de alguém apresentar com sendo de sua autoria uma obra de qualquer natureza que contenha partes de uma que pertença a outra pessoa sem fazer o dévido crédito do autor original. Portanto, “o plágio se caracteriza pela apropriação de idéias ou palavras de outrem sem o devido crédito” (JARDIM, 2009), mesmo que ainda sendo um uso acidental. Em resumo, o plagiador se apropria, de forma indevida, da intelectual de outra pessoa, fazendo-se passar por seu autor, toma prá si o que é de outro.
O plágio nos trabalhos escolares, da Educação Básica até mesmo à Pós-graduação stricto sensu, virou como que uma rotina. E não que os “copiautores” sejam novidade. Afinal, como brinco ainda que a questão seja séria, a Enciclopédia Barsa já foi uma espécie de “ghost- writer” de muito estudante.
Mas, evidentemente que com a internet, que ampliou exponencialmente as fontes de informação, e com o buffer do teclado dos computadores, que permite o CTRl+C e CTRL+V, essa prática tornou-se quase uma praga, um problema com o qual professores têm que lidar em sala de aula quase cotidianamente.
A questão do plágio na escola passa por vários aspectos. Desde um debate ampliado sobre aspectos éticos e direitos de propriedade intelectual até mesmo pelo fato de que muitos professores solicitam aos estudantes trabalhos que na verdade não lhes constituem desafios, ao abordarem questões que estão disseminadas e sobre as quais textos estão disponíveis.
Penso que uma forma de reduzir a possibilidade do plágio está em trazer o tema que será abordado no trabalho para o contexto da sala de aula, para questões que surgiram no contato cotidiano dos professores e alunos.
Outra estratégia, possível em um TCC, uma monografia, dissertação ou tese, está no acompanhamento periódico da produção do aluno pelo professor orientador. A chegada rápida de um texto completo, que não reflita os diálogos frequentes entre orientador e orientando, deveria colocar o primeiro com pulgas “atrás da orelha”.
Meu convencimento, é claro, é que nada impedirá o plágio, ainda que existam hoje vários software para sua detecção, nem sempre usados porque onerosos para os professores e muito raramente “bancados” pela escola, ao menos na realidade brasileira.
Por outro lado, para facilitar a disseminação do plágio existe hoje uma verdadeira “indústria da produção de trabalhos escolares” – com anúncios na internet vendendo a elaboração de textos para que não tem tempo ou mesmo competência para fazê-lo ou ainda oferecendo milhares de textos prontos. E, não raro, aquele que os encomenda nem sempre tem o cuidado – ou o tempo necessário – para verificar se o trabalho, produzido por outro como se fosse seu, não é na verdade o plágio da obra de um terceiro.
Plágio é questão séria, com a qual a maioria das escolas ainda lida mal.
Mas plágio, ainda que sério, é motivo para um divertido vídeo [Et Plagieringseventyr, original norueguês disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Mwbw9K] que, com a valiossísima colaboração da professora Lorena Tárcia,  legendamos em  português.

Baixou o professor no propagandista

17/02/2010

Baixou o professor no, imagino eu, propagandista de laboratório Francisco Stanguini, de São Caetano do Sul, em São Paulo.
Ele escreveu uma carta, para o Painel do Leitor, do jornal Folha de São Paulo, publicada hoje, na qual se refere a uma outra carta de leitor, um  médico.
Transcrevo uma parte da carta enviada pelo Stanguini.

“Foi com muita tristeza que li a carta do médico José Elias Aiex Neto sobre propagandistas de laboratório (“Painel do Leitor”, ontem). Ele afirma não receber propaganda médica há 12 anos e garante que não faz nenhuma falta. Certamente ele deve estar bem desatualizado com a prescrição de medicamentos. A função de um propagandista é levar informações técnicas e científicas atualizadas sobre produtos e trabalhos que não são publicados na internet.”

Quem lê essa carta criticamente – e ouso dizer que posso fazê-lo – vê aí a atitude que vem marcando muitos, quase todos os professores. Se eu não ensinar, eles não saberão, não terão como aprender. É exatamente isso o que parece pensar o leitor Stanguini.
Se o propagandista não “ensinar” aos médicos sobre os novos medicamentos e as formas de prescrevê-los, eles nada mais saberão, ficarão desatualizados e a saúde do povo estará em risco.
Pior ainda. O leitor – um propagandista como imagino – Stanguini sugere que, para além dele, o propagandista, e da internet, não haverá mais informação atualizada para os médicos. Ou seja, sem o “saber-delivery” do propagandista ou a moderna internet [ainda bem que já existe isso] o que restaria será o breu da ignorância.
Não ocorreu a Stanguini, como não ocorre a muitos professores, que existem outras estratégias e recursos para a aprendizagem. Ou ele pensa que o médico não poderá aprender na conversa com um colega, lendo a bula do remédio que não recebeu do propagandista –  mas que um colega recebeu-, frequentando congressos, lendo revistas especializadas?
Masé  interessante ver que Sanguini ainda reconhece a internet como algo que pode competir com seu saber ou até substituí-lo. Muitos professores sequer fazem isso, alguns até fingem que a internet existe.
Sanguini reflete, em seu protesto contra o médico, o pensamento de muitos professores: Sem eles, os professores – e quem sabe a internet – não haverá mais chances do aluno se informar e, a partir daí, de aprender algo.
O problema dos professores é que eles correm o risco de serem batidos pela internet. Não sei se esse é o caso do propagandista de laboratório farmacêutico. Resta viver para saber.

A imagem são do site TopTeam Online e do blog “Comida, diversão e arte“.

Ociosidade nas vagas em licenciaturas e Pedagogia. Nada para surpreender.

19/01/2010

sala de aulaEm matéria publicada hoje, a Folha de S. Paulo destaca o fato de que 6% das vagas oferecidas no 1o ano das licenciaturas e cursos de Pedagogia não são ocupadas aqui no Brasil. Para os demais cursos, esse percentual recua para 3,5%. Ao mesmo tempo, a realidade do país mostra a carência de professores adequados, efetivamente preparados para o exercício do magistério. 
Quem
freqüenta salas de aulas de algumas licenciatura ou de curso de Pedagogia, quase nunca cheias, sabe que muitos alunos ali estão apenas para obterem um diploma de curso superior e seguirem em uma atividade profissional que não seja o magistério. Baixa concorrência, quantitativa e qualitativa, nos vestibulares para esses cursos criam um atalho para aquele que quer apenas obter um diploma de ensino superior.
Por isso, oferecer bolsa de estudo para que alguém possa se preparar para ser professor, como sugere João Cardoso Palma Filho, pesquisador da Unesp e membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, em outra matéria da Folha, seria dispender ainda mais dinheiro sem resolver a crônica falta de professores, problema que – não é necessário ser futurólogo para antecipar – tende a se ampliar.
Convenhamos que não se pode culpar os jovens por não quererem ser professores aqui na Terra Brasilis. E não será uma bolsa que haverá de comprá-los na sua vontade de buscarem profissões que possam garantir rendimentos significativos e reconhecimento social. Ao contrário, corre-se o risco de pagar-se a bolsa por até 4 anos e, com o canudo debaixo do braço, o ex-licenciando evitar salas de aula e dedicar-se a outra profissão na qual poderá ter mais rendimentos com enorme probabilidade de não se submeter a mais riscos do que um cidadão comum.
A realidade da vida do professor da Educação Básica, notadamente em escolas públicas,
não exerce qualquer atrativo para os jovens que concluem o Ensino Médio. Quando meu filho concluia o Ensino Médio, agora em 2009, perguntei-lhe quantos dos pouco mais de 300 colegas de escola pretendiam ser professor. Ele buscou saber e me deu a resposta: nenhum. Querem ser alunos de cursos prestigiados, com certeza.
A titular da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci, reconhece que a atual – mendigandoe eu diria aparentemente irreversível – desvalorização da carreira docente interfere na sobra de vagas. Mas, afirma, o quadro deverá melhorar com medidas como o piso salarial do professor – que em 2010 passa a ser pouco mais de R$ 1 mil – e a lei que permite ao aluno de universidade particular ter o curso pago pelo Estado em troca de trabalho em escolas públicas depois da formatura. Essa é uma questão que devo comentar em novo blog porque fico sem compreender como alocarão esses egressos nas escolas sem o concurso público. Correrão eles o risco de serem, até a aposentadoria, o que aqui em Minas Gerais é o professor designado, sujeito atarefado e de futuro incerto?
Para a Secretária de Educação Superior a ociosidade de vagas deverá reduzir-se com a unificação do vestibular de diversas federais, o que acontecerá a partir de fevereiro. Respeito a opinião da Secretária, mas não consigo enxergar essa pretensa relação de causalidade.
Mesmo quanto ao piso salarial, que desde sua implantação encontra resistência de muitos governantes, que talvez pudesse de fato tornar atrativa a carreira docente, tenho minhas dúvidas.
contrachequeVejo o piso salarial
nacional do magistério, criado pela Lei 11.738, como algo importante, mas não suficiente para mudar a realidade do interesse pela função docente. Não creio que apenas pagar mais aos professores garanta qualidade na educação. Pode até ser. Mas vejo a educação, e principalmente sua qualidade, dependendo de muito mais coisas. Por exemplo, o professor de repente não terá mais cultura apenas porque seu contracheque veio com valores maiores. E, no Brasil, o baixo índice cultura de professores é gritante. Vindos de famílias de classes econômicas mais baixas em sua maioria, trazem para as escolas pouca bagagem cultural; não vão a teatros, cinemas, lêem pouco.
O piso salarial do magistério passou, em janeiro de 2010, a ser de R$1.024,67, conforme interpretação da Advocacia-Geral da União (AGU) para uma jornada semanal de 40 horas.
Se olharmos bem, o atual piso tem, na verdade, um valor bem próximo ao que ganha uma empregada doméstica, muitas
vezes analfabeta, em casas de família de classe média, ao menos nas regiões Sul e Sudeste e no DF. São apenas R$4,37 a mais do que dois salários mínimos vigentes.
A violência contra professores em escolas, revelada em pesquisas como uma realizada pela UNESCO, torna-se motivo para não querer ser professor ou para o professor fugir da escola. Sim, hoje são os professores que fogem da escola, ameaçados em sua integridade física, geralmente vítimas constantes de agressões verbais.
Não só pelo por tudo isso não é de estranhar que hoje em dia busquem os bancos das salas de aulas das licenciaturas e dos cursos de Pedagogia aqueles que não conseguiram aprovação no vestibular de outros cursos.
O problema do Brasil, como se revela freqüentemente, não é falta de vagas nas licenciaturas.
É falta de vontade – justificada, eu ousaria dizer – de alguém se tornar professor.
Nossas autoridades parecem fechar os olhos para essa realidade. Talvez o façam por poderem estimar q
uanto custaria mudar esse estado de coisas. E saem oferecendo cada vez mais vagas para formar professores, agora através da EaD.
A única coisa que conseguiremos com essa política é aumentar a ociosidade das vagas. E, claro, como sempre só não vê isso
quem não quer.

As imagens, meramente ilustrativas, são dos blogs Na estradaA Alternativa

Um dia em que a escola morre um pouco

01/12/2009

30 de novembro. Segundo me disseram, pela atual convenção coletiva de trabalho firmado entre o Sindicato dos Professores de Minas Gerais, o SINPRO, e o sindicato patronal, essa é a data limite para as escolas da rede particular de ensino, da educação infantil à superior, demitirem seus professores, desmotivadamente, sem correr o risco de indenizá-los em todo o 1o semestre de 2010.

Essa data de alguma maneira se repete a cada ano, ou semestre. Mudam o mês, o dia do mês, o da semana. Mas não muda a angústia.

A apreensão já rondava as escolas da Educação Básica muito antes dessa data. Em corredores e salas de professores o assunto, há alguns dias, era a demissão de colegas. Quem estará na lista? Quantos serão demitidos?

Muito contribui para esse estado de coisa a constatação de que as escolas andaram fazendo seleção de professores. Num primeiro momento as administrações podem dizer que se trata apenas de ter-se um cadastro de possíveis colaboradores em um futuro. Mas os professores desconfiam. Afinal, por que selecionar alguém se não for para aproveitá-lo de imediato?

Os últimos dias de aula tornam-se, porque não dizer, angustiantes. É cada professor ou professora se perguntando se estará de volta no ano seguinte. Difícil trabalhar com essa  angústia. Aliás, como qualquer uma.

Imagino como cai a qualidade do trabalho docente nesses dias pré-demissões. Reflexões devem povoar as mentes dos professores e professoras; talvez em suas mentes sobre pouco espaço para as questões cotidianas da escola. Claro que os alunos são importantes. Não há dúvida que as responsabilidades profissionais têm que ser cumpridas com rigor e qualidade. Mas como se as mentes ficam ocupadas com a grande dúvida: Serei demitido?

[para continuar]…..

Web 2.0 e aprendizagem

06/11/2009

Em artigo publicado online,no iMasters, no UOL, Rita Guarezi indaga: “A Web 2.0 muda os processos de aprendizagem?” A autora chama a atenção para a chegada da internet na escola, destacando, com absoluta razão, que nesse espaço que considera diferenciado o que se viu foi, de maneira geral, mais uma vez uma reprodução de conteúdos e atividades tal qual se via no modelo presencial. De fato, a internet permitiu inovar na mídia. Mas não é isso que modifica práticas educacionais. A mudança tem que estar na cabeça dos professores; não bastar estar no entorno. Deixe na sala de um professor tradicional um computador e ele, se o usar, pedirá um projetor multimídia e exibirá uma apresentação gerada no PowerPoint, dando um suporte “moderno” ao jeito que sempre usou em salas de aula. Continuará usando a fala para informar. O PowerPoint, usado como a antiga transparência, será a mesma cola que era possível com o retroprojetor. Será que professor que não cola sai da escola? Segundo Rita Guarezi, ao definir-se um curso que seria “mediatizado por tecnologias” o professor deveria responder a algumas perguntas que, afirma, tornaram-se muito importantes. Algumas delas: Quem são as pessoas que vamos formar? O que já sabem e o que não sabem sobre o que vamos falar? Como elas aprenderam a aprender? Quais são seus estilos cognitivos? Que competências precisam desenvolver? Tendo a ver um equívoco quando se argumenta que tais questões se tornaram importante porque mediatiza-se com a tecnologia o espaço de aprendizagem. Tais perguntas cabem no início e ao longo de qualquer processo de formação. Não podemos nos permitir acreditar que só a educação a distância baseada na internet deva se preocupar com isso. Ou que tal preocupação surja apenas e tão somente porque existe hoje uma educação online. Lá mesmo ela não ocorre de maneira tão disseminada quando sugerem alguns, imaginam outras. A velha escola se faz presente também no ciberespaço, exatamente porque quem a determina é o professor, seu pensar sobre a educação, não as tecnologias. Essas são questões que devem estar nos fundamentos da educação, seja presencial, seja a distância. Mas de todo, vale a pena ler o artigo de Rita Guarezi e pensar sobre ele. Contudo  recomendo que se pense nele para além do e-learning. E respondendo à questão que ela coloca no título do artigo, eu digo: a Web 2.0 não muda os processos de aprendizagem. Mas torço para que os professores mudem seu pensar sobre o que deve ser educação hoje, que tenham pensamentos contemporâneos com esse mundo que aí está. Quando isso acontecer, esses professores privilegiarão a aprendizagem, ao invés do ensino. Buscarão construir estratégias para que seus alunos construam conhecimentos, ao invés de passarem a vida decorando informações que lhes foram ditadas e que serão cobradas em provas. O professor que chegar lá usará certamente a Web 2.0, sabendo que se tratam, muito mais do que recursos, de novas linguagens. Assim, a Web 2.0 será útil a aprendizagem, sem jamais ser determinante dela. Isso é tarefa de professor. Tarefa sagrada, por sinal.

Vergonha

30/09/2009

vergonha

“Deve sentir vergonha de si mesmo o país no qual pessoas se envergonham de serem professores.”

Pensamento que ocorreu quando eu assistia, hoje à tarde, uma mesa redonda que debatia o exercício do magistério por egressos do curso de Ciências Biológicas, dentro da Jornada de Biologia da PUC Minas.