Archive for the ‘Tecnologia na escola’ Category

Novos tempos sempre exigirão revisões em práticas tradicionais da escola?

04/03/2017

showandtellShow and tell” (algo como mostre e fale) é uma prática tradicional na educação primária em escolas nos Estados Unidos e outros países de língua inglesa, sendo também utilizada em outros segmentos da educação.

A proposta pedagógica da atividade, elaborada na perspectiva de uma aprendizagem ativa, é a de permitir que os alunos  aprendam a falar em público.

Na atividade, o estudante traz de casa um objeto e diz para os colegas porque o escolheu particularmente, como o conseguiu e outras coisas interessantes sobre ele.

Para os que levam a sério o famoso dito “Diga-me e eu esqueço; mostre-me e eu me lembro; envolva-me e eu entendo”. a prática do “Show and Tell” deveria ser ampliada. Em um novo design ela passaria a ser “Show me, Tell me and Involve me“. Questões do tipo “O que você achou disto?” e “Como você usaria isto?” seriam dirigidas à platéia (outros alunos) de modo a envolvê-los mais diretamente.

Esse tipo de atividade ainda é utilizado em uma escola que se depara com a invasão dos dispositivos móveis, especialmente os smartphones.

Há quem considere que seria  o momento de pensar uma nova estratégia para o “Show and Tell”, adaptando-a para o contexto das mensagens de texto. Assim, passaríamos a ter nas salas de aula o “Show and Text”.

showtext

Deveremos sempre adaptar as práticas para este (novo) contexto de tecnologias digitais? Ou deveremos manter velhas práticas, analógicas, lado a lado com as práticas que incorporam as tecnologias digitais?

Você, o que acha?

Fontes das imagens:
static.wixstatic.com/media/6134b8_e62ef756f29c423e951dbf4d364800d5.jpg
http://www.facebook.com/bizarrocomics

 

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Aluno virtual

11/06/2014

Essa é a mais nova versão do vídeo que organizei para os alunos na disciplina Tecnologia e Práticas Educativas, sob a minha responsabilidade na PUC Minas Virtual.

A disciplina é oferecida  para alunos de licenciaturas do Instituto de Ciências Humanas da PUC Minas. Para a maioria deles, a disciplina é a  primeira experiência em EaD.

E fica possível imaginar os problemas com os quais me defronto na condução da disciplina, quando nela estão envolvidos estudantes “cultivados” na sala de aula de tijolos.

Essa é a terceira versão do vídeo. A cada semestre de experiência concreta na disciplina, vou encontrando pontos a serem acrescentados na versão anterior.  Então existe a possibilidade de ter que produzir um vídeo a cada semestre? Tendo a crer que sim.

Novas tecnologias: resistência e submissão

22/07/2013

Jarbas Novelino Barato, em seu blog Boteco Escola, assim inicia um post do qual, aliás, eu colei o título deste meu post: “Há uns dois meses, um amigo do CNE me pediu para ler e escrever algumas considerações sobre uma lista de objetivos propostos ao MEC para orientar ensino-aprendizagem de atitudes no campo da educação profissional e tecnológica. A lista era bastante problemática, incluindo muitas expectativas que refletiam uma visão acrítica de valores.

O que o Jarbas discute é a necessidade de sermos mais críticos quando se trata de incorporar as tecnologias digitais de informação e comunicação [TDIC] na escola, não o fazendo levados por, sou eu quem assim afirma, slogans [Ah, como são perigosos os slogans!]  ou pelo que seria, para alguns ao menos, um modismo. Até para que não nos vejamos presos na “areia movediça” do nosso próprio discurso.

A introdução de novas tecnologias no processo produtivo seria  provocadora de uma – natural e justificada – resistência dos trabalhadores. Resistência que, como Jarbas destaca, não é uma atitude condenável. A resistência surge até porque, muitas vezes, a entrada das tecnologias nos setores produtivos como que desaloja trabalhadores, faz até com que algumas ocupações desapareçam, causando inevitavelmente, redução nas oportunidades de emprego.

Tendo essa perspectiva, Jarbas alerta para a necessidad de que uma  reflexão quanto a esse aspecto – risco e resistência – seja levada em conta na definição de políticas de capacitação de professores para o uso das TDIC.

Mas aí acabo intrigado. Estaria a chegada das TDIC colocando em risco o emprego de professores? Ou poderia – como já acontece em escolas da rede particular de ensino – colocar em risco o emprego daqueles professore que não as utilizam?

Espero que os leitores deste meu blog possam contribuir para o debate e, principalmente,ajudar-me ao trazerem mais elementos para uma reflexão.

Até porque o meu convencimento pela resistência de (muitos) professores quanto à incorporação das TDIC na escola nada tem a ver com riscos da empregabilidade, notadamente na escola pública, onde o fator estabilidade lhe dá a segurança para fazer tudo, ou nada.

Entendo que a resistência dos professores está na perspectiva (conveniente) de manutenção de suas velhas e carcomidas práticas de ensino. Incorporar as TDIC exigirá novos (a)fazeres, tirando os professores de sua zona de conforto, exigindo que saiam  – não do emprego, da escola – de seu espaço de acomodação.   

Para ler todo o post do Jarbas, clique aqui

Escola e inovações

22/07/2013

Enillton Ferreira Rocha, no grupo “EaD, além da pedagogia e da euforia”, no Facebook, instiga o pensar ao afirmar: “Incrível como a compreensão da inovação pedagógica, na maioria dos modelos que conheço, ainda não saiu do entorno das tecnologias educacionais… Estaríamos olhando a inovação pedagógica apenas como resultado do avanço tecnológico?“.

Quando olhamos as formas de utilização das tecnologias digitais da informação e comunicação [TDIC] na educação dita presencial e mesmo na EaD, na modalidade on-line, a não ser que sejamos extremamente complacentes, não veremos sequer a inovação pedagógica.

O que vemos, ainda que vendidas na embalagem da (pós)modernidade, são as velhas práticas, agora assentadas em novas tecnologias. É a inovação conservadora da qual tratou muito bem o Paulo Gileno.

A inovação tecnológica é elemento a ser levado em conta na escola, mas não será o determinante da inovação pedagógica. A inovação pedagógica tem razão de ser na melhoria das propostas de formação, envolvam ou não inovações de base tecnológica.

Aquele que consegue vislumbrar inovações pedagógicas poderá entender como (bem) incorporar – curricularmente – as inovações tecnológicas. Aquele que vê as inovações tecnológicas necessariamente não vislumbrará, a partir delas, as inovações pedagógicas.

O pensamento que deve se modificar inicialmente é o que dá sentido à ação pedagógica. O que deve mobilizar inicialmente o educador é a convicção da necessidade da inovação pedagógica. A partir daí a inovação tecnológica se ajustará, naturalmente, naquilo que couber. Até porque haverá momento e circunstância nos quais ela não caberá.

Narrativas digitais na escola. Uma experiência que pode ser fantástica

30/05/2013

O que em inglês se denomina Digital Storytelling, no Brasil estamos chamando de narrativa digital. Em sua essência trata-se de fazer uso de tecnologias digitais para contar estórias ou histórias.

Contar e ouvir histórias sempre fez parte da história da humanidade. Provavelmente aquele que chamamos de homem “pré-histórico” assentava-se ao redor de fogueiras e contava histórias, narrava fatos do seu cotidiano, relatava suas aventuras. No linguajar bem mineiro, “contava causos”.

pintura rupestreAntes mesmo de escrever, o homem contou histórias usando figuras, as famosas pinturas rupestres que encontramos em cavernas em muitas partes do mundo. Deixou registrados fatos do seu dia-a-dia, como a caça, nos mostrou animais com os quais convivia. Desde então, mais de 20.000 anos atrás, contar histórias é uma das nossas formas mais fundamentais de comunicação.

Crescemos com nossos pais nos contando histórias. Depois, pais, contamos histórias para nossos filhos, embalando seu sono.

Contar histórias é uma característica universal de cada país e de cada cultura, como reconhecem os antropólogos, ainda que, ao longo de boa parte do século 20, a narração tenha perdido um pouco de sua importância, tenha merecido menor respeito, como afirma Steve Denning, em artigo sobre a ciência de contar histórias que foi publicado na revista Forbes.

Para Denning, o contar histórias teve uma espécie de eclipse no século passado, quando as narrativas eram vistas como sendo tanto infantis quanto triviais.

No seu artigo Denning faz referência ao livro “On the Origin of Stories: Evolution, Cognition, and Fiction” de Brian Boyd, que busca explicar a razão pela qual a aparentemente frívola atividade de contar histórias é tão poderosa. Boyd ajuda a entender o contar histórias como algo central na inovação, uma dimensão da performance crítica nas organizações no século XXI: histórias são uma espécie de jogo cognitivo, um estímulo e um treinamento para a mente viva.

Todos nós gostamos de ouvir uma boa história. Mas nosso cérebro reage de forma diferente às narrativas.

CerébroAs pesquisas em Neurobiologia revelam que, quando ouvimos alguém que usa uma apresentação gerada no PowerPoint, ativamos as áreas de Broca e de Wernicke do nosso cérebro.

Mas quando nos contam uma história, as coisas no nosso cérebro mudam drasticamente. Como revelam as pesquisas, não são apenas as áreas de processamento da linguagem em nosso cérebro que são ativadas quando ouvimos histórias. Outras áreas em nosso cérebro serão ativadas enquanto lidamos com os eventos da história. Por exemplo, se o contador de historias fala de uma comida gostosa, nosso córtex sensitivo como que acende. Se o contador de histórias fala as palavras “lavanda” ou “sabão” nossa área do cérebro que lida com odores será ativada.

O cérebro, pelo que parece, não faz muita distinção entre ouvir o relato de uma experiência e encontra-la na vida real. Nesses casos, as mesmas regiões neurológicas são estimuladas. Mas o essencial é que somos afetados por ambos.

Há muito tempo se reconhece que ler uma boa literatura nos faz melhores como seres humanos. A neurociência vem revelando que essa afirmação é mais verdadeira do que poderíamos imaginar. Ouvir histórias também faz bem, como ler.

storytellerA proposta da narrativa digital é combinar a antiga arte de contar histórias com recursos das chamadas tecnologias digitais de informação e comunicação. As narrativas são elaboradas na perspectiva de linguagens múltiplas, lançado mão de recursos de multimídia [texto, fotografia, vídeo, áudio, gráfico]. É possível ainda a narração, que deve ser gravada pelo contador de estórias. Prontas, as narrativas são publicadas na internet e tornam-se acessíveis a muitos.

Se na narrativa tradicional a forma de comunicação é praticamente apenas a fala do contador de histórias, as histórias digitais são contadas com recursos das linguagens múltiplas, criadas em computador e colocadas na internet.

As histórias digitais podem variar em tamanho. Porém, na sua maioria, as histórias utilizadas na educação geralmente duram algo entre 2 e 10 minutos. Com esse tempo consideramos o chamado ciclo de atenção, que, segundo alguns pesquisadores, nos adultos é de 15 a 20 minutos e nas crianças atuais parece ser menor, particularmente quando se trata de aprendizagem visual ou oral. Há que afirme que o ciclo de atenção [em inglês, attention span] das crianças hoje em dia seria da ordem de apenas 8 minutos. Há quem responsabilize, ou culpe, a televisão e a internet por essa significativa redução.

Na narrativa digital aplicada à educação, temos relatos de eventos históricos, histórias de vida – pessoal, da comunidade escolar ou do entorno dela. O essencial é que seja sempre algo que tenha significado para o aluno.

Apesar de seu atual destaque, a narração digital não é uma prática nova. Um dos pioneiros nessa, podemos dizer, arte é Joe Lambert, cofundador do Center for Digital Storytelling (CDS), organização sem fins lucrativos, hoje localizada em Berkeley, Califórnia, nos Estados Unidos.

A proposta do CDS, desde a sua criação – como San Francisco Digital Media Center – em 1994, foi de apoio a jovens e adultos na criação e no compartilhamento de narrativas pessoais, lançando mão da combinação de escrita reflexiva com mídias digitais.

Capa de Digital Storytelling: Capturing Lives, Creating Community, de Joe LambertNo início de seu livro “Digital Storytelling: capturing lives, creating commitment”, Joe Lambert coloca uma questão básica: “Por que contar histórias?”. E assim ele mesmo responde à questão que formula: Histórias são o que o homem faz para dar sentido ao mundo.

Um detalhe: Jose Lambert usa o termo stories. Na língua inglesa a distinção entre estória e história ainda parece persistir. A história é entendida como uma descrição narrativa objetiva de eventos passados​​, enquanto que a estória é uma descrição narrativa subjetiva, tanto de acontecimentos reais passados, quanto de pessoas imaginárias ou eventos.

Na língua portuguesa a palavra “estória” se referia aos contos, às fábulas, enfim, à ficção. Já a palavra “história” era utilizada para se fazer referência a fatos e atos da/sobre a humanidade, relativos à vida de uma pessoa. Atualmente, o termo “estória” parece cair em desuso; o termo “história” passa a ser utilizado em todos os sentidos. Nesse post usarei apenas a palavra história, a não ser quando a palavra “estória” for absolutamente necessária para algum esclarecimento.

E, continua Lambert, somos perpétuos contadores de histórias, revendo eventos na forma de cenas revividas, pepitas de contexto e caráter, ações que levam a realizações.

Outro pioneiro no campo das narrativas digitais foi Daniel Meadows, fotógrafo, autor e educador britânico. Ele definiu histórias digitais como sendo “contos multimídia, pessoais, breves, contados com o coração”. Também disse que as histórias digitais são “sonetos multimídia do povo”.

É interessante quando Joe Lambert, em seu livro “Digital Storytelling”, afirma que o cérebro que o leitor está usando para lê-lo, quando descreve sobre histórias (mantenho aqui a palavra que ele usa originalmente) e o contar de histórias, é muito diferente daquele cérebro usado se o leitor o ouvisse contar uma história.

Storytelling in the classroom

Há muito tempo o contar histórias faz parte do ambiente escolar, notadamente no ensino infantil e nas séries iniciais. Hoje em dia, no campo da educação, professores e alunos, nas salas de aula dos anos iniciais até o ensino superior, incluindo a pós-graduação, estão usando narrativas digitais com diferentes propósitos, em diferentes áreas de conteúdo e através de uma grande variedade de níveis de escolaridade.

Não se trata apenas de professores contando histórias, como vem sendo o usual, lançando mão de recursos multimídia. Precisamos pensar na situação dos próprios alunos se tornarem contadores de histórias digitais, é isso o que devemos buscar.

Será, com certeza, uma experiência fantástica para os alunos. Autores, combinarão uma tradição da própria espécie humana, o contar histórias/estórias, com as tecnologias digitais, que tanto lhes atrai. Usando imagens que eles mesmo produzirem, é o ideal, ou buscadas na internet [o que exigirá a habilidade da busca e a competência para a escolha, bons exercícios], combinando as imagens em apresentações que podem ser transformadas em vídeos], associando o áudio, como narrativa oral ou uma agradável trilha musical [são muitos os sites onde encontrar, gratuitamente, músicas e efeitos sonoros], ou produzindo vídeos, os alunos poderão, com as narrativas digitais, contar histórias/estórias, mostrando  o que aprenderam, experiências que viveram. E, se carregarem as suas narrativas em sites como SlideShare, YouTube ou Vimeo, mostrarão tudo isso para o mundo.

NarrativasParece-me uma experiência saborosa. Será um tempo para o exercício da criatividade, um momento para a expressão da estética, deixando a imaginação dos alunos correr solta. Projetos de narrativas digitais estimularão os alunos a expressar-se visualmente, o que é uma habilidade diferente de escrever.

Talvez trazer as narrativas digitais para a sala de aula seja tarefa para um professor ousado; talvez basta querer ser um professor diferente.

Por que não começar a fazer isso logo?

Meus alunos de graduação (licenciatura) em Ciências Biológicas na PUC Minas estão fazendo suas narrativas digitais criando  apresentações no PowerPoint, que depois transformam em vídeo, utilizando o  Windows Movie Maker. Os vídeos são carregados no YouTube. Para facilitar o trabalho deles, um pequeno manual foi organizado.

Wordle do post. Clique na imagem ara vê-la ampliada.

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Novas tecnologias. Nova escola?

26/06/2012

Na medida em que as tecnologias digitais, sinais de um novo tempo, chegam à escola, apesar de ainda pobremente usadas, cenários e eventos se modificam, ainda que de alguma maneira as práticas pedagógicas permaneçam praticamente inalteradas.

Em um mundo nos quais as possibilidades de comunicação e informação se multiplicam a uma velocidade espantosa, em nossas escolas permanecem, de maneira geral, a aula que remete à Idade Média, quando se dependia da memória do professor e da sua oralidade para que os alunos pudessem estar sendo informados. E, claro, em algumas vezes usando-se o livro com uma fonte de informação. A fala [do professor] e o livro formam o binômio informacional de nossas escolas, na segunda década do século XXI.

Mas como a escola tem  a necessidade de se mostrar moderna, em um mundo no qual as novas tecnologias surgem a cada momento, oferecer iPad ou qualquer outro gadget que se proponha a ser leitor dos chamados e-books, é opção que não me surpreende.

Resta saber o que estará disponível nos tablets? Sem muita ousadia, eu diria que essencialmente as velhas apostilas, contendo matérias que os alunos estudarão depois das aulas expositivas, se preparando para as provas. São as velhas apostilas em novos “trajes”.

E assim, colocando roupas novas sobre velhos corpos a nossa escola busca se oferecer como uma instituição moderna. Engana a si mesma e engana os que a buscam. E o mais intrigante é que, ao final, enganadores e enganados saem todos satisfeitos.

Chip, chip, meus gatinhos! Digo, meus e-Alunos !

26/03/2012

Houve um tempo no qual os pais, dentre eles os meus, controlavam ao menos parte da vida dos seus filhos na escolas pela caderneta.

Alí na caderneta estavam os carimbos que comprovavam a assiduidade [presente, ausente] e a pontualidade [atrasado]. Também ali estavam as notas que mostravam se a aprendizagem aconteceu ou não, ou, se ao menos, os esudantes conseguiram sair-se bem nas provas, mesmo que não tivessem aprendido.

Na caderneta Imagemeram ainda escritos os recados – que em geral só falavam de atos de indisciplina – que as as escolas emviavam aos pais dos alunos travessos, indisciplinados [Seriam eles os antecessores dos “hiperativos”de hoje ?]

Mas os tempos mudam e os controles podem se tornar, digamos, modernos, ainda que muitos possam achar inapropriados.

E é exatamente de um controle “moderno” de estudantes que trata uma notícia que circulou na semana passada.

A rede muncipal de ensino de Vitória da Conquista, no Estado de Bahia, monitorará, usando chips eletrônicos,a frequência e permanência de seus alunos. Dessa forma, poderá avisar pais e responsáveis sobre a presença dos estudantes na escolas.

Os chips estarão nos que foram chamados “uniformes escolares inteligentes”.

No escudo da escola na blusa do uniforme ou em sua manga, os chips, que  utilizam a tecnologia de Rádio-Frequência de Indentificação (RFID), serão identificados por sensores instalados na entrada das escolas.
Tão logo o estudante passe por alií, o sistema avisará, pelos celulares cadastrados, aos pais e responsáveis que os estudantes entraram ou saíram da escola.

O secretário de Educação de Vitória da Conquistachip declarou que além de promover o melhor controle da frequência escolar, este é um projeto que reaproxima os pais do ambiente escolar.

Segundo ele, ao longo dos anos foram constantado que muitos pais ficavam surpresos quando eram informados da baixa frequência dos filhos às aulas. Com o sistema, implantado a um custo inicial de R$ 1,2 milhão, as escolas pretendem “intensificar o controle sobre os estudantes, evitando que eles fiquem nas ruas“, afirma o secretário.

Haverá, certamente, quem se posicionará a favor da medida, convencido de que a escola deve mesmo controlar a frequência dos alunos e avisar os pais, usando os recursos que dispuser.

Por outro lado, não serão poucos os que condeanarão a medida, sob o argumento de que ele fere a liberdade do aluno, que seria até o caso de uma “invasão de privacidade”.

Não me surpreenderei se alguém disser que esse chip no uniforme é o equivalente a uma tornozeleira eletrônica usada por condenados pela Justiça.

O sistema, que devem conceber como inexpugnável e que já comeu uma boa quantia de dinheiro público, pode vir a servir apenas para detectar a presença de blusas de uniforme na escola. Bastará ao gazeteiro [ainda se usa essa palavra?} entregar sua blusa a um colega que vai para escola e, tão logo este passe pelo portão da escola, os pais do gazeteiro receberão a “reconfortante e tranquilizadora” notícia de que seu filho [ou filha] está em lugar “seguro” chamado escola.

Enquanto isso, buscar estratégias para que os estudantes sintam que vale a pena ir para escola e ali permanecer, nem pensar.

Mas sabemos que o bom uso de outro chip, o de computadores pessoais, leva alunos para a escola. Isso ficou evidente no Projeto UCA, que permitiu a cada aluno ter seu próprio laptop na escola.

Um indicador positivo do Projeto UCA é a diminuição significativa do índice de absenteísmo.

Por que não pensar em investir o dinheiro dos chips controladores em computadores, laptops edudacionais?  Quase certamente teríamos menores dispêndios e maiores resultados. E inteligente seria a escola, não os uniformes.

Não guardei o nome da escola na qual o chip estará em breve funcionando. Mas estou convencido de que não é Escola Municipal Michel Foucault.

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Wordle deste post.

Wordle: Chip, chip, meus gatinhos. Digo, meus e-Alunos!

Paulo Blikstein e a educação brasileira

04/01/2012

Paulo Blikstein, brasileiro, professor da Universidade de Stanford em Palo Alto, Califórnia, Estados Unidos,  fala sobre as comparações que se fazem da educação brasileira com outros países.

Interessantemente, no início do seu depoimento, Paulo Blikstein acaba chamando a atenção de algo para o que tenho alertado: estatísticas que partem do suposto que em toda correlação tem uma causalidade e acabam usadas para desqualificar a educação brasileira e sugerirem aumento do número de alunos em sala de aula, não aumento de salário e outras “soluções mirabolantes”. No Brasil são vários economistas que adoram isso. E seus “achados” são publicados em revistas e jornais de grande circulação no Brasil. Exemplo é a série de artigos sobre a educação na China, publicados em revista com grande circulação, onde comparações são feitas com a educação brasileira e, claro, a desqualificam. Esses “econometristas” fazem o que chamo de “pesquisa preguiçosa” e acabam, midiaticamente, impactando mais do que aqueles que fazem pesquisas com grande rigor metodológico.

Na continuidade da entrevista, Paulo Blikstein aborda outros assuntos, incluindo o uso das tecnologias digitais de informação e comunicação na escola. Muitos aspectos que Paulo Blikstein aborda estão no fundamentos do Projeto Um Computador por Aluno, UCA.

Nativos digitais. Verdade ou mito?

16/12/2011

Em 2001, em artigo publicado no periódico On The Horizon, sob o título “Digital Natives, Digital Immigrants”, Marc Prensky introduziu o conceito de nativos digitais, contrapondo-o ao de imigrante digital.

Pode-se dizer que esse nativo digital é, basicamente, o indivíduo da net-generation, a geração net, caracterizada no livro “Growing up digital” de Dan Tapscott, publicado em 1997 e traduzido, no Brasil, sob o título de “Geração digital – a crescente e irreversível ascensão da Geração Net”. Os nativos seriam os chamados “millennials”.

Por outro lado, haveria os imigrantes digitais (non-millennials), indivíduos que, ainda que não sejam necessariamente luditas, que não saiam por aí quebrando computadores, seriam incapazes de aprender e ensinar como os nativos.

Em seu artigo, Prensky discutiu a necessidade dos professores, que seriam imigrantes digitais, reformularem suas metodologias, suas práticas em sala de aula. Sustenta essa posição sob a alegação de que os professores não teriam perícia suficiente para lidar com as tecnologias digitais.

Dan Pontefract, em post recente no seu blog Trainingwreck, considera que embora esses “nativos” possam ser mais espertos do que os indivíduos da geração que os antecedera, os filhos da geração Baby Boomer, necessariamente não preferem aprender de uma forma totalmente digital. No post, que tem o título The Fallacy of Digital Natives, Dan Pontefract considera que os indivíduos mais  velhos, aqueles que seriam pois imigrantes digitais, podem estar usando usando a tecnologia para alterar os  seus estilos de aprendizagem da mesma forma. Dan Pontefract é bastante enfático:  aprendizagem e tecnologia nada têm a ver com o fosso geracional.

De forma similar, Siva Vaidhyanathan, em um ensaio sobre  o mito das gerações [Generational Myth], destaca que nem todas as pessoas mais jovens são experts em tecnologia. E é enfático: não existe essa coisa de geração digital.

Em artigo publicado, em 2008, no British Journal of Educational Technology, Sue Bennett, Karl Maton and Lisa Kervin chamam a atenção para o fato de que, embora os chamados “Millennials” vivam cercados por tecnologia, como outras gerações, sua utilização para a aprendizagem não é uniforme. Segundo os autores, não haveria evidências de um estilo de aprendizagem muito diferente do que se viu antes.

Uma pesquisa recente, realizada na Open University, na Inglaterra, sobre o uso de tecnologias por estudantes mais velhos, na educação a distância, pode contribuir para derrubar as ideias de Prensky e Tapscott.

A pequisa revela que, ainda que existam diferenças marcantes entre as pessoas mais velhas e as mais jovens, não há qualquer evidência de uma clara ruptura entre essas duas “populações” separadas.

É importante chamar a atenção para o que eu consideraria um risco embutido nos conceitos propostos por Marc Prensky, ao delimitar nativos e imigrantes pela faixa etária. Notadamente no caso do Brasil, são muitos os jovens que não crescem como nativos digitais, embora o devessem ser pela idade.

Há claramente um fosso, por oportunidades econômicas e sociais, que separa indivíduos que estariam em uma mesma categoria, a dos nativos, aqueles que viveriam praticamente imersos em um  mundo digital, parecendo sempre conectados com seus iPhones, iPods, tablets, comunicando-se através do MSN, Facebook, e outros que estão distantes dessa realidade.

Se olharmos com cuidado, veremos que os nativos digitais constituem uma elite de jovens e crianças. E não só na sociedade brasileira.

Por outro lado, não será a idade que definirá de forma absoluta os tipos, nativos ou imigrantes. Existem pessoas que, pela idade, seriam imigrantes – dentre elas, eu – mas que dominam as tecnologias digitais não raro em um plano que podemos dizer superior ao de muitos que são considerados nativos.

Por isso, me seduz mais a proposta de John Palfrey e Urs Gasser, em seu livro “Born digital: understanding the first generation of  digital natives” [no Brasil, o livro foi publicado pela Artmed, com o título “Nascidos na Era Digital: entendendo a primeira geração de nativos digitais“. A tradução foi revista e comentada pelo meu particular amigo, Paulo Gileno Cysneiros] de ver os nativos como populações, ao invés de gerações.

O importante nesse caso é que, de forma diferente da proposta de Marc Prensky ou daquela de Dan Tapscott, não seria  a data do nascimento o determinante do que consideraremos nativos, e, por decorrência, imigrantes.

Como alguém que se considera um usuário ativo e com bom domínio das tecnologias digitais de informação e comunicação, me sinto mais à vontade em não ser tido como um “imigrante digital”, o sujeito que terá que aprender toda uma nova cultura, apenas porque nasci em 1949, logo depois da II Guerra Mundial, bem antes dos anos 1980.

Independente disso, entendo que existem algumas questões que precisam ser trazidas para o debate, em especial para os espaços onde se formam professores, seja na graduação, seja na pós-graduação, seja na educação continuada. Exatamente porque se proclama uma necessidade imperiosa de mudança radical [seria disruptiva?] da escola para atender os nativos digitais.

  • Há de fato esse fosso tão marcado entre nativos e imigrantes?
  • Poderia o reconhecimento dessa diferença servir como uma desculpa de professores para não integrarem as tecnologias digitais em suas práticas?
  • Mas, se de fato existe esse fosso, como fazer com que os professores “imigrantes digitais” possam incorporar as tecnologias em suas práticas cotidianas em sala de aula?
  • Os professores se escorarão nessa diferença, entre nativos e imigrantes, para permanecerem “Inativos digitais” em salas de aula?
  • Como, em suas salas de aulas, os professores, “imigrantes digitais” e que, portant0,  não seriam  muito afetos às tecnologias digitais, ensinarão seus alunos, os “nativos”?
  • Teremos que esperar que uma nova geração de “professores nativos” chegue à escola para dar conta do desafio da mudança? E até lá, como ficamos?
  • De que forma os cursos de formação inicial, cujos corpos docentes estão essencialmente formados por “imigrantes digitais”, prepararão as futuras gerações de professores?
  • Os “imigrantes digitais” farão acontecer a inovação pedagógica que se ampara também em tecnologias digitais de informação e comunicação?
  • Enquanto isso, como fica a escola? No passado, ainda que sempre na promessa do futuro?

Portanto, nos lancemos ao debate.

O debate é mais do que  necessário, aqui e agora, porque mais e mais ações de políticas públicas avançam na compra de laptops para estudantes de escolas públicas, enquanto se inicia um movimento de aquisição de tablets para usos por alunos.

O debate é mais do que necessário, até para que desktopslaptops e tablets não sejam apenas apelo de marketing ou venham a significar recursos públicos desperdiçados.

[Baseado em posts publicados no blog Educação & Tecnologias, da disciplina “Educação e tecnologias da Informação”, do Programa de Pós-graduação em Educação da PUC Minas].

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Wordle deste post.

Wordle: Nativos digitais. Verdade ou mito?

Web 2.0 e aprendizagem

06/11/2009

Em artigo publicado online,no iMasters, no UOL, Rita Guarezi indaga: “A Web 2.0 muda os processos de aprendizagem?” A autora chama a atenção para a chegada da internet na escola, destacando, com absoluta razão, que nesse espaço que considera diferenciado o que se viu foi, de maneira geral, mais uma vez uma reprodução de conteúdos e atividades tal qual se via no modelo presencial. De fato, a internet permitiu inovar na mídia. Mas não é isso que modifica práticas educacionais. A mudança tem que estar na cabeça dos professores; não bastar estar no entorno. Deixe na sala de um professor tradicional um computador e ele, se o usar, pedirá um projetor multimídia e exibirá uma apresentação gerada no PowerPoint, dando um suporte “moderno” ao jeito que sempre usou em salas de aula. Continuará usando a fala para informar. O PowerPoint, usado como a antiga transparência, será a mesma cola que era possível com o retroprojetor. Será que professor que não cola sai da escola? Segundo Rita Guarezi, ao definir-se um curso que seria “mediatizado por tecnologias” o professor deveria responder a algumas perguntas que, afirma, tornaram-se muito importantes. Algumas delas: Quem são as pessoas que vamos formar? O que já sabem e o que não sabem sobre o que vamos falar? Como elas aprenderam a aprender? Quais são seus estilos cognitivos? Que competências precisam desenvolver? Tendo a ver um equívoco quando se argumenta que tais questões se tornaram importante porque mediatiza-se com a tecnologia o espaço de aprendizagem. Tais perguntas cabem no início e ao longo de qualquer processo de formação. Não podemos nos permitir acreditar que só a educação a distância baseada na internet deva se preocupar com isso. Ou que tal preocupação surja apenas e tão somente porque existe hoje uma educação online. Lá mesmo ela não ocorre de maneira tão disseminada quando sugerem alguns, imaginam outras. A velha escola se faz presente também no ciberespaço, exatamente porque quem a determina é o professor, seu pensar sobre a educação, não as tecnologias. Essas são questões que devem estar nos fundamentos da educação, seja presencial, seja a distância. Mas de todo, vale a pena ler o artigo de Rita Guarezi e pensar sobre ele. Contudo  recomendo que se pense nele para além do e-learning. E respondendo à questão que ela coloca no título do artigo, eu digo: a Web 2.0 não muda os processos de aprendizagem. Mas torço para que os professores mudem seu pensar sobre o que deve ser educação hoje, que tenham pensamentos contemporâneos com esse mundo que aí está. Quando isso acontecer, esses professores privilegiarão a aprendizagem, ao invés do ensino. Buscarão construir estratégias para que seus alunos construam conhecimentos, ao invés de passarem a vida decorando informações que lhes foram ditadas e que serão cobradas em provas. O professor que chegar lá usará certamente a Web 2.0, sabendo que se tratam, muito mais do que recursos, de novas linguagens. Assim, a Web 2.0 será útil a aprendizagem, sem jamais ser determinante dela. Isso é tarefa de professor. Tarefa sagrada, por sinal.