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WebQuest: um uso inteligente da Internet na escola

19/01/2010

Continuo resgatando alguns textos publicados no meu extinto site Educ@re [algumas web pages do velho site estão armazenadas no Internet Atchive Wayback Machine], nos quais tratava de questões relacionadas às tecnologias digitais na escola. Abaixo está o editorial que ali publiquei em outubro de 1999.


Em 1995, Bernie Dodge, professor de tecnologia educacional da San Diego State University (SDSU), nos Estados Unidos, desenvolveu um formato de lições baseadas na WWW (World Wide Web). Suas idéias iniciais estão disponíveis no artigo Some Thoughts About WebQuests, que posteriormente foi publicado em The Distance Educator.

Naquele artigo, Dodge definia um WebQuest (que em português pode ser entendido como Busca ou Aventura na Web) como sendo:

.. uma atividade orientada para a pesquisa na qual algumas ou todas as informações com as quais os estudantes interagem vêm de fontes na Internet.

Desde então, a noção de WebQuest foi adotada e adaptada por professores dos mais diversos lugares, especialmente nos Estados Unidos. 

O WebQuest vem sendo reconhecido como uma opção valiosa quando se pretende integrar a Internet de forma produtiva na escola, como apontado no artigo Integrating the Internet into the Curriculum: Using WebQuests in Your Classroom, e para promover a chamada alfabetização tecnológica na sala de aula, com destaca Kenneth Lee Watson no artigo WebQuests in the Middle School Curriculum: Promoting Technological Literacy in the Classroom, publicado em Meridian, um periódico on-line.

É ainda reconhecido como uma ferramenta construtivista, como aponta o WebQuest desenvolvido por Jim Andris, da  Southern Illinois University, que tem o título de “WebQuest as a Constructivist Tool“.

Um artigo recente de Maureen Brown Yoder, The student WebQuest, publicado no volume 26/número 7 da revista Learning and Leading with Technology, da   ISTE – International Socitety for Technology in Education, além de trazer alguns exemplos interessantes de WebQuests , mostra a utilidade desse recurso pedagógico, um uso da Internet produtivo e provocativo da reflexão.

Kathy Schrock, de Massachusetts (USA), ensina seus alunos de Pós-graduação a organizar um WebQuest e desenvolveu um excelente slide show para explicar o conceito e as principais características.

Aulas e seminários sobre WebQuest estão se espalhando para todos os lados.

O site The WebQuest Page [A página do WebQuest], organizado por Bernie Dodge, traz várias informações úteis para quem quer entender mais sobre essa forma de utilização da Internet na escola.

Quando planejava um curso que estarei ministrando em breve, utilizei os sites de busca da Internet para encontrar WebQuests em língua portuguesa. Lamentavelmente não encontrei registros de uso dessa estratégia no Brasil. É uma estratégia que, assim penso, deveria estar merecendo atenção dos educadores no momento em que tende a se ampliar o uso do computador e da própria Internet na escola.

Por isso mesmo, decidi abrir uma seção no Educ@re para a publicação de WebQuests em língua portuguesa.

A  coleção está disponível em: http://www.gcsnet.com.br/educare/ed380000.html [hoje, em 2010, esse link não está mais funcionando]

Já estou disponibilizando um primeiro WebQuest na nova seção do Educ@re. Trata-se de “Um WebQuest sobre WebQuests“. Eu estarei utilizando esse WebQuest num curso sobre o uso educacional das novas tecnologias da informação que estarei ministrando no dia 20 de novembro próximo para professores, no Colégio Nossa Senhora das Dores, em Belo Horizonte.

Todos aqueles professores que quiserem publicar seus WebQuests poderão nos contactar. Estarei esperando pelas críticas ao meu WebQuest e por novos WebQuests que possam ser úteis a outros professores.

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Web 2.0 e aprendizagem

06/11/2009

Em artigo publicado online,no iMasters, no UOL, Rita Guarezi indaga: “A Web 2.0 muda os processos de aprendizagem?” A autora chama a atenção para a chegada da internet na escola, destacando, com absoluta razão, que nesse espaço que considera diferenciado o que se viu foi, de maneira geral, mais uma vez uma reprodução de conteúdos e atividades tal qual se via no modelo presencial. De fato, a internet permitiu inovar na mídia. Mas não é isso que modifica práticas educacionais. A mudança tem que estar na cabeça dos professores; não bastar estar no entorno. Deixe na sala de um professor tradicional um computador e ele, se o usar, pedirá um projetor multimídia e exibirá uma apresentação gerada no PowerPoint, dando um suporte “moderno” ao jeito que sempre usou em salas de aula. Continuará usando a fala para informar. O PowerPoint, usado como a antiga transparência, será a mesma cola que era possível com o retroprojetor. Será que professor que não cola sai da escola? Segundo Rita Guarezi, ao definir-se um curso que seria “mediatizado por tecnologias” o professor deveria responder a algumas perguntas que, afirma, tornaram-se muito importantes. Algumas delas: Quem são as pessoas que vamos formar? O que já sabem e o que não sabem sobre o que vamos falar? Como elas aprenderam a aprender? Quais são seus estilos cognitivos? Que competências precisam desenvolver? Tendo a ver um equívoco quando se argumenta que tais questões se tornaram importante porque mediatiza-se com a tecnologia o espaço de aprendizagem. Tais perguntas cabem no início e ao longo de qualquer processo de formação. Não podemos nos permitir acreditar que só a educação a distância baseada na internet deva se preocupar com isso. Ou que tal preocupação surja apenas e tão somente porque existe hoje uma educação online. Lá mesmo ela não ocorre de maneira tão disseminada quando sugerem alguns, imaginam outras. A velha escola se faz presente também no ciberespaço, exatamente porque quem a determina é o professor, seu pensar sobre a educação, não as tecnologias. Essas são questões que devem estar nos fundamentos da educação, seja presencial, seja a distância. Mas de todo, vale a pena ler o artigo de Rita Guarezi e pensar sobre ele. Contudo  recomendo que se pense nele para além do e-learning. E respondendo à questão que ela coloca no título do artigo, eu digo: a Web 2.0 não muda os processos de aprendizagem. Mas torço para que os professores mudem seu pensar sobre o que deve ser educação hoje, que tenham pensamentos contemporâneos com esse mundo que aí está. Quando isso acontecer, esses professores privilegiarão a aprendizagem, ao invés do ensino. Buscarão construir estratégias para que seus alunos construam conhecimentos, ao invés de passarem a vida decorando informações que lhes foram ditadas e que serão cobradas em provas. O professor que chegar lá usará certamente a Web 2.0, sabendo que se tratam, muito mais do que recursos, de novas linguagens. Assim, a Web 2.0 será útil a aprendizagem, sem jamais ser determinante dela. Isso é tarefa de professor. Tarefa sagrada, por sinal.