Posts Tagged ‘OCDE’

Investimentos em educação. Não dá para comparar o Brasil com o Primeiro Mundo

09/09/2009

A OECD tornou publico hoje o relatório “Education at a Glance 2009“, contendo indicadores da educação de vários países, além dos seus próprios membros. O Brasil foi incluído na coleta de dados, realizada em 2007.

Segundo o relatório, enquanto o gasto médio entre os países-membros da OECD por estudante na educação básica é de US$ 6,4 mil, aqui no Brasil o investimento é apenas da ordem de US$ 1,5 mil. Portanto, quatro vezes menor. Na educação secundária, equivalente ao nosso Ensino Médio, o gasto médio por estudante nos países da OCDE é de US$ 8 mil, cinco vezes o valor aqui investido. Já no ensino superior, a nossa despesa por aluno está bem próxima à dos países-membros da organização: US$ 10.067 contra US$ 12.226. Em resumo, gastamos pouco em educação básica quando em comparação com países desenvolvidos, enquanto o nosso dispêndio na educação superior está em padrão de primeiro mundo.

Mas quando se olha a qualidade de ambas as educações, estamos muito atrás da dos países mais desenvolvidos. Na educação básica colocamos pouco dinheiro, ainda que haja quem ache que é muito. E temos como resultado a qualidade correspondente a esse baixo dispêndio. Na educação superior, dispendemos muito para se obter pouca qualidade, como revelam os resultados do CPC e do ENADE recentemente divulgados.

O estudo revelou ainda que, nos países da OCDE, 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB) é o percentual médio investido em educação. No Brasil, em 2006, o investimento foi da ordem de 4,9% do PIB.

Segundo a OECD, “os gastos nas instituições de ensino como percentual em relação ao PIB mostram como um país prioriza a educação“. De 2000 a 2006, o investimento em educação nos países-membros da OCDE, combinando todos os níveis de ensino, aumentou, em média, 23%. Nesse mesmo período, segundo o relatório, o Brasil elevou os gastos em 57%.

Portanto, se gasta cada vez mais aqui na Terra Brasilis, ainda que isso não venha implicando melhoria da qualidade da nossa educação. E essa constatação acaba provocando os “educonomistas”, como denomino aqueles economistas que só olham a educação pelos números do dinheiro, a proclamarem que não é preciso colocar mais dinheiro na educação brasileira. O que fazer então para sair do buraco?

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Professor desvalorizado. E não só na Terra Brasilis

09/09/2009

Não valorizar os professores da educação básica não é privilégio de país atrasado, ainda que se queria avançado, como o nosso. Por exemplo, na Itália isso também acontece.
Segundo matéria do News Italia Press, o relatório “Education at a Glance 2009“, elaborado pela OECD com indicadores da educação de vários países – incluindo o Brasil – coletados em 2007, os professores italianos são deixados sozinhos. Mais da metade deles [55%] não recebe qualquer avaliação, positiva ou negativa, sobre o trabalho que desenvolvem. Não se valoriza a sua atividade. E, óbvio, essa desvalorização acaba se refletindo no salário dos professores.
A desvalorização do professor é notória no Brasil, ainda que encontremos aqueles que pensam de forma diferente. Há muito os professores, especialmente os da Educação Básica, deixaram de ser considerados e respeitados. Ao contrário, notadamente os de escolas públicas tornaram-se vítimas de constantes violências, da verbal à agressão física. Na semana passada mesma, um aluno colocou uma bomba caseira sob a mesa de uma professora de uma escola pública estadual aqui em Belo Horizonte. Segundo o diretor da escola, a professora estaria substituindo outra profissional e teria método de ensino severo.
Mas, convenhamos, se a função docente fosse socialmente reconhecida como se espera, se esse reconhecimento se traduzisse também em salário decente, nossas licenciaturas não estariam se esvaziando como estão. Ou será que nossos jovens seriam burros a ponto de fugirem de uma profissão valorizada?
Há poucos dias conversava como meu filho, que conclui o Ensino Médio em uma escola particular que atende classes econômicas mais privilegiadas [apesar de sermos um casal de professores, fazemos esse investimento no nosso filho, com tudo o que representa em dispêndio financeiro]. Nenhum aluno ou aluna do 3o ano do EM desta escola pretende cursar uma licenciatura ou um curso de Pedagogia. Suas opções são, essencialmente, pelas carreiras tidas aqui como “nobres”. Querem ser advogados, médicos, engenheiros e coisas assim. A propósito, meu filho é o único em algumas dezenas de estudantes que pretende fazer Relações Internacionais. Mas seu projeto futuro é o Instituto Rio Branco. Filho de professores, quer distância dessa carreira. Alega que trabalhamos muito e, ele mesmo reconhece, temos muita chateação por conta do trabalho. Mas ele se orgulha dos seus pais que escolheram educar jovens e adultos.

A propósito do relatório da OECD. Ele foi publicado hoje é possível obter cópia, gratuita, do texto em inglês, em arquivo com formato PDF [clique aqui].
É um volume grande, com mais de 400 páginas. Para quem tem pouco tempo para ler tanta coisa, uma dica é um resumo dos principais achados, em versão em português.
Há também uma versão em francês do relatório. “Regards sur l’éducation 2009: Les indicateurs de l’OCDE” está online. Clique aqui para obter a cópia.